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Oportunidades


Diferentemente da América do Norte, da Europa e da Ásia, a América Latina apresenta uma rede de negócios ainda incipiente, com uma arquitetura fortemente vinculada aos grandes polos globais.

Os polos de investimentos e negócios da região são essencialmente locais e focados em suas economias domésticas, interagindo entre si e com o mundo por meio de centros como Nova York e Londres. Mesmo as operações de câmbio são intermediadas pelo dólar. Essa arquitetura dificulta e torna as operações regionais pouco eficientes.

É fato que nas últimas décadas houve importantes avanços em prol da cooperação regional: o desenvolvimento de acordos comerciais e de investimento, como o Mercosul e o Pacto Andino, e a regionalização de operações de diversas multilatinas estão transformando a região. No entanto, a América Latina ainda não conta com polos regionais como Hong Kong, Dubai ou Cingapura.

Tampouco obteve uma evolução perceptível na harmonização regulatória ou no desenvolvimento de uma infraestrutura regional – como há muito tempo ocorre na Europa. O momento nunca foi tão favorável para a América Latina rever sua arquitetura regional. Em uma conjuntura mundial de pequeno crescimento e grandes incertezas, a América Latina desponta como uma região atraente, com vantagens estratégicas e oportunidade para desenvolver uma nova topologia de negócios:

• A região tem um PIB combinado de US$ 3,5 trilhões, comparável ao da China e superior ao da Rússia, ao da Índia e ao do Leste Europeu.

• A região tem recursos naturais abundantes e grande peso no comércio internacional de commodities, sendo responsável por quase metade da produção de soja e de açúcar do mundo, 40% do cobre e da prata e cerca de 20% do ferro, da bauxita, do zinco e do ouro.

• A população total da região é de 440 milhões de pessoas, sendo menor do que a da China e a da Índia somente e superando os Estados Unidos e a Zona do Euro. Esse fato representa enorme potencial de consumo, mão de obra e desenvolvimento.

• As taxas de crescimento históricas e previstas da região são consistentemente superiores à média global e à dos países desenvolvidos.

• Cinco países já têm grau de investimento: Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru, cujos PIBs somados representam 80% do PIB da região.

• Num momento em que grandes bancos globais mostraram-se vulneráveis, os bancos do continente permaneceram sólidos, apresentando níveis de capitalização e liquidez para enfrentar grandes desafios financeiros, e operam dentro de marcos regulatórios reconhecidamente melhor desenhados para evitar crises.

• Por fim, a expansão das multilatinas, multinacionais latino-americanas com grande presença regional e internacional e do comércio entre os países cria momento para maior integração regional.

Entendemos que a América Latina pode redefinir sua arquitetura regional de investimentos e negócios, criando uma rede com vínculos diretos mais fortes entre seus países e com outras redes regionais. A região deve configurar verdadeira rede multipolar, distanciando-se do modelo atual, radial, em que todos os polos locais dependem diretamente dos serviços oferecidos pelos grandes polos globais de Londres e Nova York. A força dessa rede depende da força de cada um de seus membros, e seu impacto deve crescer com a competitividade de cada um deles. Há vários desafios a serem superados, no entanto:

• A região ainda não conta com sistemas de pagamentos interligados (como os existentes no norte da Europa) e ainda existem obstáculos para o desenvolvimento de um mercado de capitais regional mais representativo e forte do que as bolsas locais individuais (criando uma rede de co-trading como a Norex).

• A malha aérea da região é pouco densa, fazendo com que viagens frequentemente demandem múltiplas escalas.

• As principais universidades da região ainda focam em parcerias e intercâmbios com instituições principalmente europeias, deixando oportunidades de maior integração dentro da região em segundo plano.

• Os países da região têm feito esforços limitados para simplificar e harmonizar suas regulações, um movimento que precisa ser reforçado.

• A infraestrutura de transportes e comunicação dentro da região precisa ser otimizada e melhor integrada.

A superação desses desafios e de outros deve criar as condições para que a região, enfim, passe a abrigar polos de atuação regional com distintos perfis e graus de especialização.

Vários países da América Latina já se movimentam para fortalecer seus polos de investimentos e negócios. As bolsas do Chile, do Peru e da Colômbia já firmaram parceria. O Chile vem alavancando principalmente sua estabilidade macroeconômica e a qualificação da sua mão de obra para posicionar-se como sede para empresas de terceirização de TI e processos, e também como melhor local para headquarters regionais.

O Panamá tenta consolidar-se como centro especializado em investimentos off-shore.

O Uruguai busca tornar-se um polo off-shore e de serviços, desenvolvendo centros universitários e de tecnologia. Ainda resta muito a ser feito, mas o momento é agora – a janela de portunidade não ficará indefinidamente aberta. Outros polos como Nova York, Londres, Madri e Miami já percebem o valor estratégico da região e buscam atendê-la de forma remota, à procura de oportunidades de crescimento. O Brasil, com sua relevância econômica, pode ser um dos grandes catalisadores dessa nova arquitetura. 

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