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04/02/2013

Estudo mostra profissões cujos salários aumentaram na última década

Para BRAiN direcionar políticas públicas no sentido de priorizar carreiras que sejam mais demandadas. Revisão da política de imigração é uma saída.

O chamado “apagão de mão de obra” – a falta de profissionais em determinadas áreas de economia para suprir um desejado crescimento da economia brasileira nos próximos anos – não é um cenário uniforme e varia de acordo com o setor da economia e a formação do profissional.

Áreas como medicina, engenharia civil e engenharia química, por exemplo, estão entre as mais procuradas pelo mercado e viram seus salários dispararem na última década. No mesmo período, formações em administração, ciências da computação, marketing e farmácia registraram quedas de salário – indicando menor demanda por parte do mercado. É o que mostra o estudo “Talentos – As profissões e o mercado de trabalho brasileiro entre 2000 e 2010”, produzido pela Brasil Investimentos & Negócios (BRAiN).

Tomando como base os censos de 2000 e 2010, o relatório compara os salários dos trabalhadores com nível superior em diversos setores com os dos que concluíram o ensino médio – cujo salário mensal em 2010, foi de, em média, R$ 1.317. Em áreas como a já mencionada, engenharia civil, por exemplo, a diferença salarial entre o profissional de nível superior e o de nível médio, que era de 200% em 2000, passou para mais de 250% em 2010.  “Isso mostra que a demanda por esse tipo de profissional está aumentando mais rapidamente que a oferta, ou seja, o mercado está demandando mais engenheiros civis”, explica o diretor de Pesquisa da BRAiN, André Sacconato. O mesmo raciocínio vale, por exemplo, para engenharia química, medicina e arquitetura – confira a seguir as profissões em que o salário aumentou na última década.

O trabalho da BRAiN mostra ainda quais as áreas em que os trabalhadores, depois de formados, continuam atuando nos segmentos em que concluíram os cursos, as chamadas “ocupações típicas”. Os casos em que há maior aderência são medicina, arquitetura, pedagogia e Reabilitação. Nessas carreiras, de 50% a 80% dos trabalhadores estão nas áreas em que se formaram. Já em segmentos como administração, artes e ciências sociais, a aderência é pequena, o que indica que mais de 90% dos formados estão atuando em outros ramos de atividade depois de concluída a graduação.

Confira as profissões cujos salários aumentaram na última década

·         Medicina

·         Militar

·         Engenharia Civil

·         Engenharia Química

·         Engenharia Elétrica

·         Engenharia Mecânica

·         Outras Engenharias

·         Ciências Sociais

·         Arquitetura

·         Estatística

·         Economia

·         Ciências Físicas

·         Biblioteconomia

·         Direito

·         Artes

·         Odontologia

·         Veterinária

·         Serviço Social

·         Física

·         Contabilidade
 

Profissões cujos salários diminuíram na última década

·         Administração

·         Filosofia

·         Jornalismo

·         Marketing

·         Atuárias

·         Ciências da Computação

·         Farmácia

·         Hotelaria

·         Matemática

·         Enfermagem

Imigração

Sacconato, da BRAiN, destaca que a principal importância desse trabalho é direcionar políticas públicas no sentido de priorizar carreiras que sejam mais demandadas. A ausência de profissionais qualificados em áreas de produção de valor agregado poderão contribuir para que o crescimento do Brasil definhe ao longo dos próximos anos. “A BRAiN acredita que a solução no curto prazo para esse quadro é rever a política de imigração do País para as profissões em que há maior demanda”, afirma o economista. “Hoje, a obtenção de vistos de trabalho é lenta e burocrática. Como o País necessita de trabalhadores em determinadas áreas mencionadas pelo estudo e esses profissionais não são formados em menos de quatro anos, a solução seria criar uma via rápida (fast track) para obter permissão para trabalho para estrangeiros”, afirma.

Nesse sentido, e entidade mantém diálogos com a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, órgão que também possui convênio para troca de informações a fim de tentar responder algumas questões estratégicas para o crescimento econômico do Brasil, entre elas como tornar o Brasil um destino prioritário para imigrantes e como a legislação pode ser adaptada para reduzir a burocracia. “Muito do nosso avanço no século 20 se deve aos imigrantes e São Paulo é o melhor exemplo disso”, reforça Sacconato.

Segundo o economista, o Brasil não seria o único País beneficiado com a vinda dos profissionais estrangeiros. Os próprios países também ganhariam, já que o cenário de muitos deles registram elevados índices de desemprego, caso de Portugal e Espanha. “O conhecimento do estrangeiro também será formado no Brasil. Devolveremos profissionais qualificados, quando os países voltarem a crescer. Todo mundo ganha.”

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