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19/02/2013

Cresce emissão de vistos de trabalho para estrangeiros em 2012

Para BRAiN número pode aumentar após revisão do processo atual e diminuir gargalo de mão de obra qualificada.

São Paulo, 18 de fevereiro de 2013 - O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) emitiu 73.022 vistos de trabalho para estrangeiros em 2012. O resultado representa um acréscimo de 30% na comparação com 2010 e de nada menos que 70,16% em relação a 2009. O maior número de pedidos veio dos Estados Unidos (9.209), seguido das Filipinas (5179), Haiti (4860), Reino Unido (4414), Índia (4243) e Alemanha (3617).

Para o diretor de Pesquisas da Brasil Investimentos & Negócios (BRAiN), André Sacconato, a procura desses profissionais é decorrente da expansão dos investimentos internacionais e do bom momento do País.

O Brasil poderia facilitar a entrada de estrangeiros em áreas consideradas estratégicas caso o processo para o pedido de visto de trabalho fosse revisto. A BRAiN realizou uma pesquisa sobre as melhores práticas mundiais de concessão de visto de trabalho a estrangeiros comparando os exemplos de Canadá, Reino Unido, Austrália, Cingapura, Hong Kong, Chile e México.

Para obter um visto que o permita atuar no Brasil, o trabalhador estrangeiro precisa apresentar um total de 19 documentos e ir pessoalmente ao consulado brasileiro para regularizar sua situação. “Isso dificulta a atração de estrangeiros em áreas que seriam importantes para o desenvolvimento do País”, explica Sacconato. Em alguns países, é preciso se deslocar mais de 1 mil quilômetros para ir até a representação brasileira – caso da China, por exemplo. Por isso, segundo o economista, seria importante que a entrega da maior parte dos documentos pudesse ser feita online.

Foram identificadas 12 questões prioritárias para aprimorar o sistema de emissão de vistos para profissionais estrangeiros no Brasil. Entre as principais estão tirar a limitação de cota máxima de estrangeiros nas empresas, permitir que estrangeiros qualificados estabelecidos no Brasil mudem de emprego, eliminar requisito de demonstrar experiência profissional mínima,

reduzir o número de formulários e documentos requeridos pela metade, estabelecer processo digital, eliminar a necessidade de legalizar os documentos, aplicação online com acompanhamento em tempo real da aplicação (transparência no avanço do processo), criação de um sistema eletrônico de registro e emissão de vistos e atingir um tempo de processamento máximo de 30 dias a partir das mudanças propostas nas etapas do processo (discutidas anteriormente).

A BRAiN já atua na busca de sistemas que facilitem a entrada de talentos em áreas consideradas estratégicas, integrando, desde agosto, o Grupo de Trabalho da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República para o aprimoramento da política brasileira de imigração. Para Sacconato, o estabelecimento de uma política direcionada de vistos, com base em pontuação por área de interesse, como fazem Canadá e Austrália, seria uma caminho para solucionar o problema de falta de talentos em determinadas áreas. “Trata-se de fazer uma escolha direcionada, para suprir os cargos em que estão faltando pessoas, casos, por exemplo, de áreas ligadas à infraestrutura, como Engenharia Civil e Engenharia Química.”

O sistema de pontos funciona da seguinte forma: se o Brasil necessita dos já mencionados engenheiros civis ou químicos, por exemplo, o postulante a atuar no País nessa área teria a pontuação maior, ante profissões de menor interesse. Se a demanda é por trabalhadores de 20 a 30 anos, esses profissionais recebem maior pontuação que os que têm, por exemplo, de 50 a 60 anos. “Dessa forma, são contemplados com a facilitação do visto, aqueles cujos perfis interessam para o desenvolvimento do País”, explica Sacconato.

O total de estrangeiros como proporção da população, que já foi de 7,3% em 1900, não passa, atualmente, de 0,3%, segundo dados do último Censo do IBGE. “Foram os estrangeiros, como italianos, espanhóis, japoneses e portugueses, que construíram a São Paulo do século 20 e ajudaram a fundar, por exemplo, a USP.”

Segundo o economista, o Brasil não seria o único País beneficiado com a vinda dos profissionais estrangeiros. Os próprios países também ganhariam, já que o cenário de muitos deles registram elevados índices de desemprego, caso de Portugal e Espanha. “O conhecimento do estrangeiro também será formado no Brasil. Devolveremos profissionais qualificados, quando os países voltarem a crescer. Todo mundo ganha.”

Work in Brazil

A demanda por profissionais em áreas estratégicas do País de um lado, e a crise na União Europeia de outro têm aumentado o interesse de cidadãos da Zona do Euro por atuar no Brasil. É o que mostra o primeiro balanço do site Work in Brazil (www.workinbrazil.org), criado pela BRAiN para receber currículos de trabalhadores do exterior interessados em trabalhar no País. Lançado em outubro, o site já recebeu mais de 300 perfis, mais da metade de trabalhadores de Portugal, da Espanha e da Grécia.

“Há uma percepção generalizada nesses países de que existe um risco de os trabalhadores, principalmente os mais jovens, perderem janela de oportunidade de ingressarem no mercado de trabalho nas áreas em que se formaram e, depois disso jamais conseguirem voltar a atuar nesses segmentos, o que configuraria uma geração perdida. Por isso, países como a Espanha vêm, deliberadamente, estimulando a saída desses trabalhadores neste período de crise para que, depois, quando houver uma recuperação, retornem, num processo de ‘brain drain’ (‘saída de cérebros’)”, avalia Sacconato. Ele acrescenta que, para o Brasil, a vinda de profissionais qualificados é bastante positiva em áreas como as ligadas à infraestrutura, que precisarão de mão de obra qualificada nos próximos anos.

O levantamento dos dados do Work in Brazil mostra que, na média, os estrangeiros que enviam seus currículos possuem formação superior e interesse em atuar, sobretudo, no mercado financeiro e nas áreas de direito, marketing e comunicação. Os números vão ao encontro dos dados do MTE, que mostram que a maioria dos profissionais possui ensino superior completo.

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