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Cidades-polo


Fluxos de investimentos e negócios tendem a criar redes fortemente integradas. Podemos segmentar esses polos em quatro tipos conforme seu papel na rede de negócios global.

• Polos globais, hoje limitados a Nova York e Londres, possuem forte conectividade com as diferentes regiões do globo e seus polos, tornando-se verdadeiros hubs para fluxos internacionais de investimento e negócios, fornecendo todos os tipos de serviço e produto para o mundo.

• Polos regionais viabilizam e estimulam o desenvolvimento de conexões entre os diversos países de uma região, provendo os mais diversos tipos de produto e serviço para esses países. Ao fazê-lo, aumentam os fluxos de investimentos e negócios entre os países e, por consequência, o grau de cooperação dos mesmos. Esses polos facilitam o intercâmbio de capitais, negócios e pessoas de toda a sua região com as demais e com outros polos regionais e globais. Exemplos de polos regionais são Dubai, Hong Kong e Cingapura.

• Polos locais concentram os fluxos de investimentos em negócios em seus países ou mercados. Isso abrange não apenas os fluxos propriamente ditos mas também a presença de uma estrutura viabilizadora que inclui mercados organizados de serviços, produtos, capitais e trabalho. É importante frisar que a presença desse tipo de polo não implica menor crescimento de outras cidades ou regiões do país, que se beneficiam tanto direta quanto indiretamente dos fluxos de investimento canalizados pelo polo. Como exemplos podem-se citar Paris, Milão, Tóquio, Mumbai, São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago e Cidade do México.

• Polos especializados atuam como referência internacional para um tipo de produto, de serviço ou de segmento específico. São os casos de Zurique (seguros), Chicago (trading de commodities), Vale do Silício (tecnologia) e Mumbai (outsourcing de TI). Regiões como América do Norte, Europa e Ásia, que concentram grande parte da atividade econômica global, já se estruturaram em redes com diversos tipos de polo convivendo de maneira sinérgica.

Imagem do País

O Brasil apresenta imagem positiva como um lugar para se fazer turismo, conforme The Anholt-GfK Roper Nation Brands Index, e cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são reconhecidas como algumas das melhores opções para se fazer negócios na América Latina, de acordo com o ranking elaborado pela revista America Economia.

Nesse último ponto, o Brasil poderia empenhar-se mais para sua promoção em um contexto mais amplo. Esforços de divulgação ainda são limitados, podendo ser citadas iniciativas como o BEST BRAZIL, que apresenta o mercado financeiro e de capitais nacional para investidores estrangeiros, e a APEX, que tem o objetivo de promover o comércio exterior do País.

Há uma oportunidade única para que o Brasil, nos próximos anos, consiga promover seus aspectos positivos no exterior, por causa da exposição que terá com a Copa do Mundo e a Olimpíada, que atrairão público estimado de 600 mil pessoas em 2014 e 380 mil em 2016, respectivamente. Com a imagem bem divulgada nesses eventos esportivos, o atual fluxo de turistas, de 5,4 milhões em 2011, poderia alcançar um patamar mais elevado e o País melhoraria sua imagem no exterior como alternativa de lazer e, mais importante, como destino para a realização de negócios.

Um polo internacional de investimentos e negócios é fator de desenvolvimento para um país e para sua região. A América Latina, como outras regiões do mundo, precisa ter uma rede forte de polos, alguns de projeção global, dentre os quais o Brasil é um dos candidatos.

Atualmente, o País encontra-se distante dos principais polos do mundo, mas tem diversas características que o tornam apto a essa função, como a força de sua economia, infraestrutura financeira e estabilidade política e institucional.

O Brasil destaca-se pelo seu porte: já é a sexta maior economia do mundo, tendo ultrapassado o Reino Unido em 2011, e conta também com um bônus demográfico que o torna o único dentre as maiores economias do mundo a ter crescimento populacional suficiente para suprir a necessidade futura de trabalhadores. Além disso, atrai mais de 40% de todo o investimento estrangeiro direto destinado à América Latina e as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro já são percebidas como bons lugares para se fazer negócios na região.

A taxa de juros real está em contínuo declínio, e em 2012 chegou ao menor nível da série histórica iniciada em 1986, com juros reais inferiores a 3% ao ano, versus 12% ao ano em 2006. Essa queda traz o Brasil para patamares próximos aos de outros países emergentes como China e Rússia, além de abrir caminho para financiamentos mais baratos. Adicionalmente, juros mais baixos estimulam o uso de outros instrumentos financeiros, tais como debêntures, ainda pouco desenvolvidos no País.

Com esse contexto positivo, o Brasil está mais atrativo a talentos internacionais, conforme ilustrado pela pesquisa global com executivos realizada pelo IMD e pelo número crescente de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros. Tal fato pode ser atribuído à perspectiva brasileira positiva em um cenário de crise, impulsionando empresas a investirem no País e deslocando talentos para aproveitar as oportunidades existentes. 

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